“Quem é você?”
Se existia algo que eu odiava
mais do que tudo, era essa pergunta. Não a indagada com arrogância e olhar de
desprezo, mas a pergunta feita com um sorriso sincero, com um subliminar “O que
você faz da vida?” por trás.
Eu odiava essa pergunta.
Talvez porque eu não sabia como
responde-la. Não, isso é mentira. Eu odiava essa pergunta porque eu sabia
exatamente qual era a resposta, a monótona e repetitiva resposta que era a
única que se encaixava em meus lábios.
“Não sou ninguém.” Nenhum humor.
Apenas um sorriso franco, acompanhado de um suspiro cansado.
Eu não era ninguém. Eu não sou
ninguém. Por isso eu odiava essa pergunta. Ela me enchia com um vazio
devorador. Eu queria mentir, dizer que tinha importância. Mas quando a verdade
é tão clara e gritante, como posso afoga-la?
“Quem é você?”
Sou a sombra da parede.
“Quem é você?”
Sou aquela pessoa que você não vai perder o tempo de
conhecer.
“Quem é você?”
Sou aquela personalidade cujo você irá esquecer por falta da
mesma.
“Quem é você?”
Sou tudo aquilo que você é.
“Quem é você?”
Alguém sem defeitos ou qualidades.
“Quem é você?”
Eu sou ninguém. Ninguém
importante. Só mais alguém entre tantos ninguéns. Eu sou ninguém que se afoga
no mar do próprio anonimato. Eu sou ninguém que não tem nada para destruir e
fazer disso uma criação.
Eu não sou ninguém.
Por isso respondi o trabalho que
eu tinha, a cor do meu quarto e quantos ônibus eu pegava por dia.







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