Jornal das Onze

"Vós que lê ainda está entre os vivos; mas eu, que escrevo, há muito parti para a região das sombras." - Edgar Allan Poe
Follow Me

Crônica: Linha Verde



By  G. Bronze     09:40    Marcadores:, 


Linha Verde


Dizem que o metrô é onde se pode ver mais diferenças de São Paulo. Esperar o trem acaba se tornando um jogo de descobrir a história de cada um: o homem de barba com o guarda-chuva, a menina de olhos puxados carregando o violão, o rapaz com tatuagens subindo pelo antebraço e garota com a maquiagem borrada e uma mochila pendurada no ombro. Divergências políticas são ignoradas ao sentar-se nos assentos, gostos não compatíveis são deixados de lado ao apoiar-se na porta enquanto a gentileza se torna apenas mais um convenção social. O coração e a coluna vertebral da cidade se entranham nesse submundo de perfis, esse grito mudo, um som agudo, uma cor que brilha tão forte que arde os olhos.
Estampado no rosto as pessoas trazem sua cultura, religião, marcas de idade, traços de lágrimas que já correram rosto abaixo por tristeza e alegria de um amor passado, todos carregam memórias e pensamentos únicos, que são iguais aos da pessoa ao seu lado, e da outra, e da outra... acreditando em sua individualidade bela e inigualável.
Só alguns poucos indivíduos veem que sua própria personalidade não é um belo e único floco de neve, que sua individualidade é ordinária, e um deles é o culpado pelo trem ter se atrasado a chegar na estação Paraíso.

About G. Bronze

"Eu sou a vida desperdiçada do Jack." - Clube da Luta. PALAHNIUK, Chuck.

Nenhum comentário:

Postar um comentário