Jornal das Onze

"Vós que lê ainda está entre os vivos; mas eu, que escrevo, há muito parti para a região das sombras." - Edgar Allan Poe
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Resenha: Admirável Mundo Novo



By  G. Bronze     09:18    Marcadores:,,,, 

Uma distopia de Aldous Huxley



Sinopse:
"Ano 634 D.F. (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (precondicionados) têm comportamentos (preestabelecidos) e ocupam lugares (predeterminados) na sociedade - os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime. Os conceitos de 'pai' e 'mãe' são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia - acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo."


No momento que você segura um exemplar de "Admirável Mundo Novo", você consegue sentir o peso de todas as críticas em que Aldous Huxley envolveu seu livro.

O desejo de controle do ser humano aumentou de tal modo que a reprodução se tornou um meio completamente laboratorial, com bebês de proveta já modificados antes de nascerem para se adequar à sua vida, predestinada em um sistema de castas.

Castas: 
  • Alfas, de cor cinza.
  • Betas, amora.
  • Gamas, verde.
  • Deltas, cáqui.
  • Ípsilons, preto.
Eles já são alterados psicologicamente para gostarem de sua respectiva casta e nunca querer alterar sua posição, mesmo alguns sendo tratados de modo tão deplorável, quanto os Ípsilons. Toda noite, eles são submetidos à uma espécie de lavagem cerebral, o que garante a obediência e a baixa procura por algum outro meio de satisfação que não as empregadas tão fortemente no cotidiano.

Outro motivo que chamou muita atenção à obra de Huxley, que foi publicada em 1932, foi o sexo explicito entre todos os membros da sociedade. "Cada um pertence a todos." A educação sexual, chamada de "brincadeira", começa desde cedo, o que pode ser observado através das crianças "brincando" pelos jardins. Se isso ainda causa desconforto em 2014, consegue imaginar em 1932?

Mesmo que sexo seja uma arma muito poderosa para controlar as pessoas, os Alfas também usam de um artificio muito eficaz, também conhecido como "soma". Essa pequena pílula funciona como droga alucinógena, permitindo ao usuário um estado de torpor e extrema felicidade, acompanhado de "flutuação" por dias e dias.
Com relações sexuais constantes e sem mediação por parceiros, mais capsulas do paraíso, por que haveriam eles de se preocupar?

O que mais me choca sobre o livro é a possibilidade de acontecer. Admito que vejo, facilmente, o futuro da humanidade se aproximando da obra de Huxley. Só não tenho certeza se o suposto futuro terá se exaurido da religião assim como no livro, ou se permitirão comunidades selvagens para estudos primitivos do comportamento humano antes da chamada "iluminação".

Citações: 

  • "Porque o nosso mundo não é o mundo de Otelo. Não se pode fazer um calhambeque sem aço, e não se pode fazer uma tragédia sem instabilidade social. O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice, não se acham sobrecarregados de pais e mães; não têm esposas, nem filhos, nem amantes, por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionadas de tal modo que praticamente não podem deixar de se portar como devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o soma. Que o senhor atira pela janela em nome da liberdade, Sr. Selvagem. Da liberdade!"

  • "Porque o fato de criticar exaltava nele o sentimento de sua importância, dava-lhe a impressão de ser maior."

  • "Faz-me lembrar outro desses antigos, chamado Bradley. Ele definia a filosofia como a arte de encontrar más razões para aquilo em que se crê por instinto. Como se nós acreditássemos em alguma coisa, seja o que for, por instinto! Cremos nas coisas porque somos condicionados a crer nelas. A arte de encontrar mais razões para aquilo em que se crê por outras más razões, isto é a filosofia. As pessoas crêem em Deus porque foram condicionadas para crer em Deus."

  • "- Preferimos fazer as coisas confortavelmente.
- Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado."
- Em suma - disse Mustafá Mond - o senhor reclama o direito de ser infeliz."

Sobre o autor: 

Aldous Leonard Huxley nasceu em 1894, em Godalming, e morreu em 1963, em Los Angeles. Ele recebeu renome por sua obra mais famosa, a qual essa postagem é sobre, mas também era conhecido por fazer experiências envolvendo drogas, como o LSD.
Uma dessas experiências acabou se tornando o livro "As Portas da Percepção", o qual deu origem ao nome da banda de rock The Doors.

About G. Bronze

"Eu sou a vida desperdiçada do Jack." - Clube da Luta. PALAHNIUK, Chuck.

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