Jornal das Onze

"Vós que lê ainda está entre os vivos; mas eu, que escrevo, há muito parti para a região das sombras." - Edgar Allan Poe
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Resenha: O Oceano no Fim do Caminho



By  G. Bronze     14:16    Marcadores:,,,, 

Uma obra de Neil Gaiman

“Era apenas um lago de patos, nos fundos da fazenda. Nada muito grande.Lettie Hempstock dizia que era um oceano, mas eu sabia que isso não fazia o menor sentido. Lettie falou que elas haviam atravessado o oceano até ali, vindas da velha pátria.Sua mãe dizia que Lettie não lembrava direito, e que não tinha sido muito tempo atrás, e, de qualquer maneira, a velha pátria havia afundado.A velha sra. Hempstock, avó de Lettie, argumentava que ambas estavam erradas, e que o lugar que afundara não era a velha pátria de verdade. Ela declara recordar-se bem da velha pátria de verdade.Afirmava que a velha pátria de verdade havia explodido”





Sinopse: 
    "Sussex, Inglaterra. Um homem de meia-idade volta à casa onde passou a infância para um funeral. A construção não é mais a mesma, e ele é atraído para a fazenda no fim da estrada, onde, aos sete anos, conheceu uma garota extraordinária, Lettie Hempstock, que morava com a mãe e a avó. Ele não pensava em Lettie há décadas, mas mesmo assim, ao se sentar à beira do lago (o mesmo a que ela se referia como um oceano) nos fundos da velha casa de fazenda, o passado esquecido volta de repente. E é um passado estranho demais, assustador demais, perigoso demais para ter acontecido de verdade, especialmente com um menino.
     Quarenta anos antes, um homem cometeu suicídio dentro de um carro roubado no fim da estrada que dava na fazenda. Sua morte foi o estopim, com consequências inimagináveis. A escuridão foi despertada, algo estranho e incompreensível para uma criança. E Lettie - com sua magia, amizade e a sabedoria digna de alguém com muito mais de onze anos - prometeu protegê-lo, não importava o que acontecesse.
    Trabalho revolucionário de um mestre da literatura, O oceano no fim do caminho demonstra um raro entendimento daquilo que nos torna humanos, e mostra o poder que as histórias têm de revelar e, ao mesmo tempo, de nos proteger dos perigos dentro e fora de nós. É uma fábula emocionante, assustadora e melancólica. Um convite a repensar a escuridão que espreita as memórias da infância."


Certo, como fã pessoal do autor, eu confeso que meu primeiro pensamento quando vi o livro pela primeira vez foi "Caramba!". Neil Gaiman não escrevia um romance adulto desde 2005, e ver um livro dele nas pratelereias foi uma sensação incrível.

A respeito do romance
em si, acabou se tornando um de meus favoritos. Com uma narrativa instigante, Gaiman narra com olhar adulto os acontecimentos que antes via através de olhos infantis. Coisas que antes ele não notava começavam a fazer sentido. A névoa que encobria as memórias que criou quando era criança retornam com a força de um oceano quando ele próprio retorna à fazenda das Hempstock.

E confesso que fiquei com raiva do Neil Gaiman por ter terminado o livro. Esse sentimento de vazio me encontrou depois d'eu ler a última página e me segue até hoje.




Minhas citações favoritas:
  • "As memórias de infância às vezes são encobertas e obscurecidas pelo que vem depois, como brinquedos antigos esquecidos no fundo do armário abarrotado de um adulto, mas nunca se perdem por completo." 
  •  "Esse é o problema com as coisas vivas. Não duram muito. Gatinhos num dia, gatos velhos no outro. E depois ficam só as lembranças. E as lembranças desvanecem e se confundem, viram borrões..." 
  • "Crianças pequenas acham que são deuses, ou pelo menos algumas acreditam nisso e só ficam satisfeitas quando o resto do mundo concorda com o seu jeito de ver as coisas."
  • "Adultos seguem caminhos. Crianças exploram. Os adultos ficam satisfeitos por seguir o mesmo trajeto, centenas de vezes, ou milhares; talvez nunca lhes ocorra pisar fora desses caminhos, rastejar por baixo dos rododendros, encontrar os vãos entre as cercas." 
  • "Eu adorava mitos. Não eram histórias para adultos e não eram histórias para crianças. Eram melhores que isso. Simplesmente eram."    
  • "Um dos pássaros vorazes baixou o bico afiado até o chão a seus pés e começou a abrir buracos - não como uma criatura que come terra e grama, mas como se comesse uma cortina ou um cenário em que estivesse pintado o mundo. No lugar em que a criatura devorava a grama, nada restava - um nada perfeito, só uma cor que lembrava o cinza, mas um cinza amorfo, pulsante, como o chuvisco de estática da nossa televisão quando se tirava o cabo de antena e a imagem desaparecia por completo. Esse era o vazio. Não a escuridão, não o nada. Isso era o que havia por baixo da cortina transparente e tenuamente pintada da realidade."
  • "- Nada nunca é igual - respondeu ela. - Seja um segundo mais tarde ou cem anos depois. Tudo está sempre se agitando e se revolvendo. E as pessoas mudam tanto quanto os oceanos." 
  • "Já é difícil o bastante estar vivo, tentando sobreviver no mundo e encontrar o seu lugar nele, fazer as coisas de que se precisa para seguir em frente, sem se perguntar se aquilo que você acabou de fazer, o que quer que tenha sido, foi o suficiente para a pessoa que, se não morrera, desistira da própria vida. Não era justo." 
  • "Uma história só é relevante, suponho, na medida em que as pessoas na história mudam." 
  • "Não importa se eu não consigo me lembrar mais dos detalhes: a morte aconteceu com ela. A morte acontece com todos nós."

About G. Bronze

"Eu sou a vida desperdiçada do Jack." - Clube da Luta. PALAHNIUK, Chuck.

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